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Primeiro passo para controle de preços

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José Antônio Severo

O tenente-coronel Hugo Chávez começou assim: uma meia-trava na Pedevesa, estatal do petróleo, em nome do bem-comum. O presidente Jair Bolsonaro interveio na política de preços da Petrobrás temendo uma greve de caminhoneiros. A ex-presidente Dilma Rousseff deu uma canetaço pensando no consumidor. Nada de novo no céu da Dinamarca, diria Shakespeare se estivesse aqui, ou nada de novo no front, como Erich Maria Remarque. Tantas citações para sugerir que a vaca está a caminho do brejo.

Pela cara que fez o ministro da Economia, Paulo Guedes quando o repórter lhe perguntou, em Washington, sobre a medida ordenada pelo presidente da República mandando a Petrobras dar meia-volta no reajuste do óleo Diesel pode-se fazer uma ideia do turbilhão que se formou na cabeça do ministro. Até onde vai? Chávez começou assim, numa primeira medida populista. Tomou gosto e deu no que deu. Que responda sobre o bem-estar venezuelano a população de Boa vista, em Roraima.

O certo é que a área econômica não foi ouvida. A análise que empurrou o presidente ao gesto açodado, tomando uma medida estratégica no meio de uma festividade no Amapá, foi do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Isto é pechada certa do gaúcho com Paulo Guedes. Mas a verdade é que, como dizia o líder chinês Mao Tsé-Tung, foi dado o primeiro passo nessa longa marcha rumo ao controle de preços no setor de combustíveis.

A realidade é que o presidente pareceu satisfeito quando anunciou o adiamento do reajuste. Com cara de quem diz “aqui mando eu”, revelou que na terça-feira vai chamar o gabinete econômico às falas, querendo saber tudo tim-tim por tim-tim: qual o preço de extração do petróleo, o custo do refino, do transporte, para ver se a Petrobrás está cobrando o preço justo ou avançando no bolso dos caminhoneiros gananciosamente. Às favas os alinhamentos com o mercado internacional. Afinal, o petróleo não é nosso, como se dizia nos tempos do presidente Getúlio Vargas? Imagina-se como se portará Guedes diante de tais argumentos e da política de preços que essa atitude sugere. Vai sair chispa no terceiro andar do Palácio do Planalto.

Blog Edgar Lisboa / José Antônio Severo

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