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Rio Ibirapuitã, em Alegrete /Foto: Palácio Piratini/Divulgação

Reunirão interministerial para socorrer municípios gaúchos atingidos pelas enxurradas

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O Chefe da Casa Civil, o gaúcho Onyx Lorenzoni, promoveu na tarde desta terça-feira (22), em Brasília, uma reunião interministerial com a presença de parlamentares, prefeitos e lideranças da área de produção, para acelerar o apoio do governo federal aos municípios atingidos pelas enxurradas, principalmente, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Além dos problemas na agricultura, as enchentes destruíram casas em diversos municípios do Estado.

Para o senador eleito Luis Carlos Heinze (PP-RS), a reunião foi produtiva. O governo prometeu apoio aos municípios que agora preparam seus planos para serem apresentados. Cada ministério presente ao encontro, estará apoiando os municípios com as prioridades necessárias.

Situação Desesperadora

Prefeito de Dom Pedrito, Mário Augusto, e lideranças do setor produtivo com o deputado Jerônimo Goergen, na Câmara dos Deputados, antes da reunião interministerial, no Palácio do Planalto

O deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) afirmou que “a situação é despertadora”. Ele reuniu-se com líderes da região atingida pela chuva, tanto do setor público, quanto privado e cobrou providências que devem ser imediatas, emergenciais, que vão do apoio ás famílias, a infraestrutura das comunidades, especialmente pontes, estradas e residências, que muitos rios já baixaram, mas ainda tem reflexo disso”. Citou entre as perdas dos municípios, Dom Pedrito. O prefeito Mário Augusto, apresentou um prejuízo de 200 milhões de reais na economia.  Isto, argumenta Jerônimo, “ é uma perda futura, nós temos uma perda que já vem também daquilo que não foi pago ainda do ano passado, da preparação da lavoura propriamente e que pelos números aqui apontados, só em Dom Pedrito são outros 48 milhões; da safra de 2017/2018.

Segundo o parlamentar, “nós temos um reflexo econômico que ele vai começar a acontecer daqui para frente, você tem uma perda total de renda, de giro econômico por consequência, e uma ampliação do endividamento. Por isso nós vamos pedir aqui ao governo, porque não há outra medida, na questão do arroz, especialmente, que não seja uma securitização disso, reorganizando a vida dos produtores, que além das políticas de Mercosul, de elevação de custo de produção, agora tem este problema climático bastante agravado”.

Região parece um pós-guerra

O presidente da Associação e Sindicato Rural de Dom Pedrito, Luiz Augusto Gonçalves disse que a região “ parece um pós-guerra, nós estivemos em 12 dias uma precipitação em torno de 700 milímetros, quando no ano todo é 1.300. Aí vocês têm noção do quê que pode ter acontecido. A cidade está destruída, o município está destruído, o agronegócio foi por água abaixo. ”

O líder rural explica que “lá em Dom Pedrito nós plantamos, só de soja 120 mil hectares, nós temos mais de 40% perdido, perda total. Arroz, que nós temos em torno de 40 mil hectares, nós já estamos em torno de 20 a 30% perdido, de área perdida. Mais na pecuária a situação também está calamitosa. Nós trouxemos um estudo aqui realizado pela Irga, pela Emater, pelos escritórios técnicos de todas as cidades e associações, enfim, hoje, a dívida, já ultrapassa 226.671.209,60 milhões. Isto fora as consequências que doravante vão acontecer, como problema na pecuária, alto índice de aborto, carrapato que é um problema seríssimo, que se passaram 12 dias insistentemente sem parar, só chuva, chuva e chuva; há três dias parou a chuva, mas justamente há três dias na cabeceira do Rio Santa Maria choveu mais 90 milímetros”.

É um absurdo enfatiza Augusto Gonçalves, é muito triste, nunca na história do município, com 146 anos, aconteceu uma tragédia desse tamanho”. Precisamos do governo federal, o governo estadual não tem condições de dar conta de tudo o que aconteceu em toda a nossa região sul. E foi toda a região sul. Estamos aqui em Brasília justamente para isso, porque é como eu estou dizendo e grifando, é um pós-guerra. ”

O presidente da Associação dos Agricultores de Dom Pedrito, Cristiano Varus Cabreira acentua que, além dos prejuízos de 226 milhões, nós temos ainda vários problemas. Produtores que já vinham com dívidas que foram renegociadas com o mercado, empresas de insumos, são 14 entre diesel e insumos de Dom Pedrito, e nós fiemos um levantamento somente de 4 empresas, ficaram  da safra 2017/2018, 48 milhões de dívida. E tem destas 4 empresas mais 158 milhões para a safra agora. O Banco do Brasil cortando cada vez mais o crédito do produtor, e um dado que não foi levantado e que tem um endividamento muito maior do que este é a questão das indústrias, que hoje financiam 60% de arroz”.

Na opinião do produtor, “ se com todos esses problemas pela frente para serem resolvidos, e se não houver aí uma securitização generalizada, principalmente na região de campanha e fronteira oeste, que foram as duas regiões mais atingidas, e essas duas regiões juntas produzem 43% do arroz do Estado do Rio Grande do Sul, nós não vamos garantir mais a subsistência de arroz aí para o País. ”

Arrozeiros com produção debaixo da água

Fátima Marchezan, presidente da Associação dos Arrozeiros de Alegrete disse que “a situação da fronteira Oeste também, a exemplo da Campanha, é caótica. Nós tínhamos produtores que já vinham mal das pernas, já arrolando dívidas, e muitos deles estão com arroz debaixo d`água, a gente calcula que as perdas este ano, tendo em vista o estágio de avanço das lavouras, comparando com as enchentes de 2015, a gente possa chegar aí em 20 ou mais de perda no Estado. Então isso não só diz respeito ao produtor. Nós temos as cidades da metade sul, principalmente Fronteira e Campanha, e os municípios precisam desse valor para gerar emprego, para gerar renda. Então vai ser um baque muito grande nesses municípios para investir em saúde, educação, estradas nos bairros; então esse caos que se instalou com as perdas advindas das enchentes vai progredir e vai atingir os municípios que já não tinham dinheiro para investir na arrumação destas estradas todas que foram danificadas, agora sem esse recurso da lavoura de arroz, vão ficar piores ainda. Então nós vamos acabar aí com um caos social muito grande e nós vamos sofrer com o desemprego que isso vai gerar. Então como o Cabreira falou, tem muitas empresas que são dependentes do agronegócio, que recebem, que prestam serviços, e essas empresas não vão ter como receber esses valores”, concluiu.

Prefeito faz apelo às autoridades

O prefeito de Dom Pedrito, Mário Augusto fez um apelo às autoridades: nós estamos em Brasília em busca da reconstrução das nossas cidades, dos nossos municípios. A verdade é que dos quase 3000 quilômetros de estradas que nós temos, todos eles estão prejudicados. Um trabalho que nós fizemos de outubro para cá para recuperação de estradas vicinais, de patroladas e cascalhadas, todo esse trabalho foi por água abaixo. Daqui a 10 dias começa o ano letivo na zona rural e também o escoamento da produção, a safra começa logo em seguida. E hoje eu não tenho estrutura para atender a essas duas demandas do município”.

O prefeito chama atenção também para “a questão humanitária dentro dos municípios, das casas atingidas, danificadas, infraestrutura das residências, enfim que nós estamos tendo que atender nesse momento. E nós temos um total de 70% das ruas da zona urbana sem pavimentação, essas ruas também, todas perderam todo o trabalho que foi feito, assim como as asfaltadas, que sofreram grandes modificações. Hoje o prejuízo na infraestrutura do município é de mais de 3 milhões, isso pode aumentar esse cálculo, na medida em que a água baixa. Nós temos pontes e pontilhões totalmente danificados, um deles inclusive nós já abrimos totalmente. Temos um prejuízo, calculado pela secretaria de planejamento e meio ambiente, departamento de meio ambiente, com os danos ambientais eles somam hoje cinco milhões de reais. E a economia do município, só no agronegócio até agora é isso. Nós ainda vamos ter esse cálculo corrigido na medida que as águas baixarem. Mas até agora são quase 250 milhões de reais, entre lavoura de arroz, lavoura de soja, pecuária, hortaliças, apicultores, enfim, todo esse trabalho aí literalmente perdido e nós estamos aqui porque nós precisamos reconstruir as nossas cidades. O Governo do estado tem na apoiado, mas não consegue sozinho assumir tamanho prejuízo”, frisou.

Situação nunca vista na história

Alberto Rodrigues, vice-prefeito de Dom Pedrito afirmou que, “praticamente o prefeito Mario Augusto, o Cristiano Cabreira e o Luiz Augusto já falaram tudo. Mas a gente, as pessoas, praticamente oito mil pessoas foram atingidas pelas enxurradas. Foram enxurradas que tiverem em duas horas na madrugada do dia 09, e pessoas que perderam tudo, então, uma situação caótica, difícil, nunca vista na história de Dom Pedrito nos 146 anos; onde do mês de julho para cá nós recuperamos praticamente 50km das nossas ruas, e o trabalho simplesmente foi todo por água abaixo. É uma situação muito difícil, por isso fizemos essa comitiva com várias frentes. Os produtores rurais, as pessoas, os munícipes que moram na zona urbana e que foram atingidos, estão em situação desesperadora. É uma situação muito difícil para toda a nossa região. E hoje a gente veio em busca sim desse socorro do governo federal”.

“É importante registrar uma coisa que é consenso de todos nós, que nós tivemos até agora um atendimento excepcional do governo do Estado, da equipe do governador Eduardo Leite, e as coisas estão muito bem encaminhadas aqui também. Tanto a Casa Militar, a Defesa Civil do Estado e o gabinete do governador, foram incansáveis até esse momento com os municípios”, atestou o prefeito de Dom Pedrito, Mário Augusto.

Os temporais que atingiram o Rio Grande do Sul na primeira quinzena de janeiro ainda deixam pessoas foram de casa. A quantidade de moradores desabrigados ou desalojados chegou a passar de 6 mil – dado de segunda-feira (21). O total de atingidos, incluindo danos parciais, ultrapassou os 10 mil. Diminuiu para menos de mil nesta terça-feira, mas apesar da perspectiva de diminuição da chuva, a Defesa Civil avisa que nos próximos quatro dias, cidades da Fronteira Oeste ainda poderão sofrer reflexos da onda de cheia, principalmente locais banhados pelo Rio Uruguai.

Situação de Emergência

Chuva e vento forte danificaram residências, prédios e estabelecimentos. As cheias nos rios alagaram ruas e avenidas, atingindo também casas em diversas cidades. Uma das regiões mais afetadas foi a Fronteira Oeste, especialmente Uruguaiana e Alegrete.

Quatro mortes foram registradas, sendo duas delas diretamente relacionadas ao mau tempo, em Alegrete e Santana da Boa Vista. As outras duas foram em Alegrete e Quaraí.

Ao todo, 27 cidades relataram transtornos. Dezoito prefeituras decretaram situação de emergência e, até a manhã desta terça, o número de homologações do governo seguia em sete: Alegrete, Dom Pedrito, Quaraí, Rosário do Sul, São Francisco de Assis, São Gabriel e Uruguaiana. O governo prometeu acelerar essa homologação.

Pode chover, mas em forma de pancadas rápidas e isoladas nesta  ocorrer na quarta-feira (23), porém com possibilidade para descargas elétricas e até granizo em áreas da Fronteira Oeste.

A massa de ar seco predomina sobre o estado e favorece o tempo firme nos dias seguintes. Se ocorrer alguma chuva, de acordo com a Somar Meteorologia, será em forma de pancadas bastante rápidas.

Blog Edgar Lisboa / G1/ Agência Digital News