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Shopping Popular de Brasília pede socorro

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Shopping PopularPerspectiva de ter o próprio negócio, estabilidade financeira e segurança. Foram essas as promessas que os ambulantes ouviram do Governo do Distrito Federal (GDF) após a criação de shoppings populares na capital. Mas, na prática, não foi bem isso que aconteceu. A reportagem do Jornal de Brasília visitou o local e constatou um cenário de total abandono.

Construído para retirar os camelôs das ruas e reduzir o comércio ilegal, o Shopping Popular de Brasília, localizado ao lado da antiga Rodoferroviária, não atrai compradores e nem mesmo os próprios feirantes. Das 1,7 mil lojas construídas, apenas 700 estão ocupadas. O que comprova que a maioria dos feirantes ainda tem optado por garantir as vendas nas ruas, como noticiado pelo JBr na edição de segunda-feira .

Segundo a presidente da Associação do Shopping Popular de Brasília, Edilene Fernandes, o GDF precisa cumprir o prometido e dar estrutura de trabalho aos feirantes. “É obrigação do governo fazer o que prometeu. Os feirantes não podem ficar aqui sem clientes. Afinal, todos têm que garantir o próprio sustento”, explicou Edilene.

Sem movimento

A feirante Aldemira Silva Menezes, de 48 anos, reclama da falta de movimento. “Falta muito cliente aqui e todo mundo tem preferido vender na rua. Confesso que só tenho ficado aqui porque recebo para cuidar de outras bancas. Se fosse depender apenas do lucro da minha banca, não valeria a pena”, relatou. De acordo com Aldemira, presente no shopping desde sua inauguração, as vendas diminuíram consideravelmente. “Se for comparar o meu lucro de agora com o da época de ambulante, nas ruas, posso dizer que ganho 50% a menos”, disse.

Para transformar essa realidade, o governo pretende instalar serviços públicos no shopping, como o Banco de Brasília (BRB), que deve ser inaugurado ainda este mês. Também prometem inaugurar, até o final do ano, o posto avançado de entrega de documentos do Departamento de Trânsito do DF (Detran/DF).

Sensação de completo abandono

Para a feirante Cleonice Maria de Jesus, 67 anos, os comerciantes estão desamparados. “Viemos para esse espaço com a promessa de melhorias, mas até agora nada mudou. O governo virou as costas para gente. A sensação que temos é a de que estamos desamparados e sem poder recorrer a ninguém”, afirmou.

Segundo ela, a situação só pode ser mudada com maiores incentivos aos feirantes. “Não é por falta de mercadorias. Mas, sem clientes, os feirantes têm preferido voltar para as ruas. Talvez, com mais investimentos, a coisa melhore”, disse.

Ela conta que as limitações para a ocupação das bancas preocupa. “A ordem é: você só pode ocupar a banca que comprou. Se eles nos deixassem alugar ou vender o box, pelo menos, teríamos bancas abertas e mais clientes”, opinou.

Sem policiamento

A segurança do local também é precária e, segundo Cleonice, tem afastado os próprios feirantes do shopping. “Aqui não tem policiamento. Estou deixando de abrir minha banca no final de semana porque fico sozinha aqui e é muito perigoso. O dinheiro faz falta, mas prefiro não correr riscos”, declarou.

A falta de fiscalização é outro entrave encontrado pelos feirantes, já que acaba dificultando a fidelização dos clientes. “Muitos não abrem as bancas por falta de fiscalização. Outros ficam esperando as coisas darem certo para começarem a vir. Mas se ninguém fizer a sua parte, as coisas não mudam”, assegura a presidente da Associação do Shopping Popular de Brasília, Edilene Fernandes.

De acordo com o GDF, todas as bancas fechadas estão em processo de retomada e será aberto processo licitatório.

Ceilândia também sofre

No Shopping Popular de Ceilândia, o principal problema encontrado pelos feirantes não é a falta de clientes, mas sim as limitações da estrutura física do local. É o que declara a feirante Liz Maria Arantes, de 67 anos. “Nós não contamos com o apoio do governo. Eles não fizeram o que prometeram. Como não contamos com estacionamento suficiente, o público acaba desistindo de nos visitar”, denunciou.

Para Eunice Alves, 66 anos, que também tem um box no shopping, o local está abandonado. “O governo trouxe a gente para cá e não deu a mínima estrutura para nos mantermos. Acho que os feirantes deveriam se unir e pedir melhorias o mais rápido possível. Estamos desesperados”, ressaltou.

Na opinião do presidente da Associação do Shopping Popular de Ceilândia, Jesus Salles, a falta de divulgação também prejudica o desenvolvimento do shopping, mas há esperanças. “Estamos no caminho. Acredito que cerca de 70% do local está dentro do que esperávamos”, defendeu.

Patrícia Fernandes,Jornal de Brasília