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Terremoto partidário

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O terremoto partidário sacode o planalto central, atingindo parlamentares de várias legendas, da esquerda e da direita, mas de uma forma geral, envolvendo jovens deputados e senadores de primeiro mandato originários das grandes manifestações de rua de 2013. A insatisfação está se espalhando. Há gaúchos nessas rebeliões.

Cada qual com seu problema, mas um lugar comum é o choque dos estreantes com a realidade política das direções partidárias tradicionais. Passados os primeiros tempos românticos, todos salvando o Brasil com as melhores intensões; a realidade cobra seu preço. Quem não se enquadra fica de fora. O exemplo mais contundente é a gritaria da deputada paulista Tábata Amaral, uma campeã de votos cortejada pelo PDT, que não consegue, atualmente, nem mesmo ser atendida ao telefone pelo presidente da sigla, Carlos Lupi.

Vaga para os bem-comportados

O problema dela é o mesmo dos outros rebeldes. Na hora de o partido exercer seu poder, indicando os nomes para as comissões, só ganham vagas os bem-comportados. Por outro lado, aquele poder antigo que tinham os parlamentares, de navegar entre as legendas, vendendo aqui e ali os seus votos, acabou. Pelas normas vigentes, o mandato é do partido. Se mudar de legenda, perde o cargo. É prudente ficar quieto esperando melhores tempos ou encontrar alguma saída política ou judicial

Bloco dos dissidentes

No bloco dos dissidentes está o gaúcho Morton Santos, do PDT, mas a expectativa é que o deputado Nereu Crispim, do PSL, acompanhe o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos numa retirada do PSL. Ainda no PDT, além de Tábata, está em litígio o deputado Flávio Nogueira, do Piauí; no PSB, estão rompendo com a direção, pedindo para mudar de legenda, os deputados Felipe Rigoni (ES), Rodrigo Coelho (SC) e, Jefferson Campos (SP). No Senado Federal, a gaúcha (de Camaquã) Juíza Selma (Arruda), eleita pelo PSL de Mato Grosso também está em rota de colisão com a direção partidária; ameaçada, ainda, de cassação judicial a pedido da ex-procuradora Raquel Dodge.

Vento Leste 

Do Oceano Atlântico chegam às costas brasileiras as ameaças ao comércio internacional decorrentes da disputa entre Estados Unidos e China. Quando tudo parecia pacificado, os chineses vieram com novas exigências para fechar o acordo. Entretanto, o que se sobressai neste momento é que a questão não é puramente econômica, mas política, pois o governo de Pequim abriu o jogo, ameaçando retaliações ao governo de Donald Trump, acusado de apoiar os protestos de Hong Kong. É uma nova carta na mesa.

A volta da Vale

A notícia que animou os mercados neste início de semana foi a notícia de bons resultados e lucros da Cia. Vale do Rio Doce, que há tempos ainda sentia os efeitos dos desastres nas suas instalações em Minas Gerais. Com isto, volta a crescer a oferta de minério de ferro no mercado internacional, com os anúncios de aumento de produção da Vale e de sua concorrente, a Rio Tinto. A perspectiva de dividendos da empresa brasileira anima as bolsas.

Pré-Sal e Previdência

Calmaria nas bancadas, satisfeitas com os arranjos para distribuição dos dinheiros do petróleo. Também está animando os mercados a expectativa da aprovação em segundo turno da reforma da Previdência no Senado. Os governadores e prefeitos esfregando as mãos.