24 de novembro de 2017
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TRE suspende propaganda do PSDB com críticas a Rollemberg

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(Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados/Divulgação)

O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE) suspendeu, nesta sexta-feira (10), a divulgação de uma propaganda partidária do PSDB da capital que tecia críticas ao governo Rodrigo Rollemberg. A ação foi movida pelo PSB, que disse ver “insinuações, ofensas e ataques que maculam a imagem” do governador. Cabe recurso.

Na peça, o presidente do PSDB-DF e deputado federal Izalci Lucas afirmava que Rollemberg “comprava apoio político usando dinheiro público”, e que Brasília “vive o pior governo de sua história”. Dizia, ainda, que “nós do PSDB não estamos à venda”, em referência à suposta compra de apoio.

Na decisão, a desembargadora eleitoral Sandra de Sanctis diz que esse tipo de vídeo, divulgado fora do período eleitoral, tem objetivos definidos pela Lei dos Partidos Políticos – difundir programa partidário, divulgar a posição do partido em temas político-comunitários e promover a participação política feminina.

“As increpações, decorrentes de acusações de compra de apoio político com dinheiro público e de incompetência administrativa, podem, a meu ver, ser injuriosas no contexto em que colocadas”, diz a sentença. A decisão não estabelece punição caso o vídeo volte a ser divulgado.

Em 11 de outubro, a Justiça Eleitoral do DF suspendeu outras propagandas consideradas ofensivas ao governo Rollemberg – estas, elaboradas pelo PT regional. Nos vídeos, a presidente da legenda e deputada federal Érika Kokay dizia que o governo local maltratava servidores públicos, e que a situação no DF era de “total abandono”.

O G1 tentou contato com a direção do PSB e com o advogado que representa o partido em questões eleitorais, mas não obteve retorno nesta sexta.

Rollemberg e PSDB

Em entrevista ao G1, Izalci repetiu as críticas feitas no programa partidário e acusou Rollemberg de “assediar” filiados ao PSDB do DF, em busca de alianças para 2018. Segundo ele, a criação da Secretaria de Assuntos Estratégicos e a nomeação da ex-governadora tucana Maria de Lourdes Abadia foram feitas à revelia da legenda.

“Ela [Abadia] já não estava participando do partido há algum tempo. Quando o Raimundo [Ribeiro, atual deputado distrital pelo PPS] saiu do partido, ela foi para o gabinete dele e continuou trabalhando com ele. Estava praticamente afastada”, diz o político.

Segundo Izalci, pessoas ligadas ao Buriti telefonaram para outros filiados ao PSDB, em busca de nomes para compor a pasta de Abadia. A ideia, diz, era enfraquecer o partido e uma possível candidatura do presidente regional ao governo do DF, em 2018.

“Como o governador sabe que a minha candidatura pode dar trabalho, ele quer cooptar o PSDB. Ele procurou o Tasso [Jereissati, senador do Ceará] e o [governador de São Paulo Geraldo] Alckmin, mas eu já tinha alertado a eles que haveria a movimentação”, diz.

“Depois, me ligou pra dizer que tinha uma boa notícia, que me queria como vice em 2018. Disse que a única boa notícia que ele poderia me dar seria a renúncia”.

Apesar da briga interna, Izalci diz que não planeja abrir processos de expulsão do PSDB contra Abadia, ou contra correligionários que se juntarem à base aliada. Segundo o deputado, o grupo “terá de pagar os pecados dentro do partido, mesmo.”

“A única certeza que tenho hoje, em relação a 2018, é que não faremos aliança com Rollemberg. Com todos os outros partidos, estamos conversando. Ele perdeu o PDT, perdeu o PSD, a Rede está saindo. O PSDB sempre foi coadjuvante aqui no DF, e queremos ser protagonistas”, disse ao G1.

A briga do PSDB

A Secretaria de Assuntos Estratégicos foi criada no fim de outubro, e anunciada por Rollemberg e Abadia com pompa e circunstância. Durante o anúncio, Rollemberg evitou falar sobre as eleições do próximo ano, mas admitiu que a nomeação pode antecipar uma “possível aliança” para 2018.

O nome de Abadia é cogitado para a vice-governadoria na chapa de reeleição, já que o atual vice, Renato Santana (PSD), não tem boa relação com o chefe do Executivo. (G1)

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