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Volta da rivalidade com Argentina pode ativar economia da fronteira gaúcha

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 José Antônio Severo

As declarações do presidente Jair Bolsonaro condenado a possível volta dos peronistas argentinos ao poder tende a reacender a rivalidade hostil entre Brasil e Argentina. Em Buenos Aires a ex-presidente Cristina Kirchner lidera as pesquisas eleitorais. Embora tenha retirada sua candidatura, será uma figura decisiva do novo governo portenho.

Uma reação parece evidente: o argentino médio deverá declarar-se desconfortável com esse palpite de um presidente estrangeiro sobre sua política externa e resultados eleitorais. O tema já está sendo comentado pela mídia daquele país como uma intromissão indesejável. Gol contra.

Extinta há 40 anos com a criação do Mercosul, Buenos Aires e Brasília mudaram da água para o vinho, acabando com um antagonismo de séculos para se converterem, em poucos anos, em aliados carnais. A nova situação que se apresentas, com governos ideologicamente adversários, pode recolocar as velhas desconfianças do passado.

Fio desencapado

Argentina é fio desencapado. Segunda-feira na Federação da Indústria do Rio de Janeiro, o presidente Jair Bolsonaro voltou a repetir a afirmação que parecia ser um ato falho quando, em Dallas (USA), saiu de sua boca: Em caso de eleição da líder peronista, ela será, de fato, o inimigo do novo regime brasileiro, declarou o presidente brasileiro.

Cristina desistiu da candidatura a presidente, mas não há dúvida de que ela será de fato a figura mais forte do futuro governo de Buenos Aires. No Rio, Bolsonaro ampliou suas críticas, acrescentando que, nesse caso, o Brasil ficará cercado por regimes hostis: com Argentina ao Sul, Venezuela ao norte e Bolívia a oeste. Impulsionada pelos ministros Olavo Setúbal, do Exterior, e Dílson Funaro, da Fazenda), reverteu-se uma situação de desconfiança semi-hostil de séculos entre os dois países. É preciso não esquecer que a guerra entre Brasil e Argentina, já foi, até os anos 1970, a hipótese de conflitos estudados nos estados maiores das forças armadas dos dois países, desapareceu com a criação do Mercosul. A rivalidade está de volta, diga-se o, que se disser.

Comércio ganha

Entretanto, a volta de uma hostilidade aberta, nos moldes dos anos 1950, com concentração de tropas nas cidades da fronteira, seria um elemento para aquecimento substancial do comércio nessas comunidades. No passado, as cidades gaúchas das fronteiras uruguaia e argentina tiveram suas economias irrigadas pela presença de uma classe média vigorosa, na época, quando os militares eram muito bem pagos.

Foi a concentração de consumidores urbanos e não a pecuária com suas carnes e lãs que garantiram a renda para as economias das fronteiras rio-grandenses. Coronéis, tenentes, sargentos e até cabos foram levaram uma receita segura e monetizada para a região. Foi a época de ouro daquelas cidades.

Blog Edgar Lisboa